O coronavírus no Brasil

19
Lug

Actualmente, o tópico principal em muitos artigos e discursos é a disseminação do coronavírus e as estratégias mais apropriadas para conter a actual pandemia. O Brasil não é isento dessa calamidade e todos estam vendo que a situação neste país é muito difícil. Nós, como comunidade de irmãs ursulinas há alguns anos, em colaboração com a diocese de Vicenza, estamos envolvidas na periferia de Boa Vista, capital do Estado de Roraima, a serviço desta igreja que se encontra na região amazônica.
Para entender essa realidade geográfica, devemos sempre ter em mente as grandes distâncias que devem ser enfrentadas para todas as situações de vida. Se na Europa é diferente viver na cidade ou nas aldeias de montanha devido à diferença nas possibilidades de acessar os vários serviços sociais e de saúde, imagine quais podem ser as dificuldades em locais onde as distâncias são imensas e onde você deve viajar 50-100 km para ir de um centro habitado para outro. Isso cria grandes inconvenientes em relação à educação (acesso à escola), saúde (acesso aos serviços de saúde) e todas as atividades sociais, culturais e políticas.
Neste tempo, com a disseminação do contágio, se abserva que o Brasil está enfrentando grandes preocupações como os problemas de gestão, problemas de estruturas inadequadas, problemas de grande desequilíbrio econômico e social. Tudo agravado por uma administração inadequada da saúde. De fato, apesar de conhecer a dramática experiência européia, nenhuma medida séria foi tomada para lidar com a pandemia, colocando em primeiro plano os interesses econômicos do governo central e não o bem da população. O presidente operou em todas as maneiras para impedir que o Brasil se isolasse economicamente, asserendo como motivação pela sua ação a grave situação econômica que uma grande parte da população teria que enfrentar se o bloqueio fosse declarado.
O sentimento comum que as pessoas experimentaram foi de abandono pelas autoridades civis. Um exemplo esclarecedor pode ser o fato de que, em meio a uma pandemia e em poucos meses, o governo mudou o ministro da saúde 3 ou 4 vezes e o atual, um general do exército que, de acordo com a opinião pública, não tem competência na gestão da saúde. Outro elemento importante é a falta de clareza sobre as indicações mais adequadas para poder enfrentar o contágio do coronavírus: a contínua mudança de indicações do Ministério da Saúde, da presidência do país e dos vários prefeitos das capitais dos estados, muitas vezes contraditórios entre si criaram muita confução entre o povo. Nos últimos dias, apesar do aumento no número de casos e óbitos, os vários governos dos estados que compõem o Brasil, incluindo Roraima, resolveram reabrir as atividades comerciais para voltar ao chamado “novo normal aparente”. O nosso Estado é aquele com o menor número de casos de contaminação e mortes por coronavírus declarados, mas devemos considerar o fato que aqui não há testes suficientes para diagnosticar a infecção e também foi denunciado que entre os testes que chegaram, muitos contêm reagentes alterado obtendo assim resultados alterados. De tudo isso pode-se dedusir o desejo camuflado de cobrir ou distorcer a realidade da parte das autoridades locais.
As principais preocupações e desafios são vividas sicuramente pelos povos indígenas, pelos riberinhos e os camponeses que vivem em áreas isoladas ou semi-isoladas e que, por decreto presidencial, atualmente não receberam assistência sanitária e econômica adequada, causando um grande risco de mortalidade entre essa população. Devido às grandes distâncias eles não pode acessar os serviços de saúde presentes apenas na capital enquanto eles moram em comunidades que só podem ser alcançadas de avião ou navegando com o barco por vários dias ao longo do rio Rio Branco e afluentes .

 

Como reagimos como Igreja de Roraima?

Nesse caso, o primeiro e importante passo foi conscientizar-nos para ajudar a população a se conscientizar plenamente, explicando a importância de não subestimar a gravidade da pandemia, apesar das atitudes indiferentes e minimalistas assumida pelo presidente que subestimou e subestima a situação existente.
Para poder gestir adequatamente a pandemia, muitos governos estaduais decretaram o fechamento das atividades escolares e de muitas atividades comerciais. Infelizmente, como conseguencia inevitavel se gerou um situação de emergência alimentar devida ao fato de muitas famílias, principalmente as mais carenciadas, não possuírem os meios para garantir as necessidades básicas. Lembramos, a esse respeito, que muitos cidadãos vivem com pequenos trabalhos ou empregos de curto prazo.

Como igreja diocesana, foi criada uma rede de solidariedade entre as paróquias do centro, as áreas missionárias e a Caritas Nacional, a fim de coletar cestas basicas e kit de higiene para oferecer às famílias mais pobres. Muitos doadores aderiram a essa ação de solidariedade, garantindo assim por alguns meses o sustento de muitas famílias pobres sejam presente nas periferias sejam os que vivem isoladas no interior do território de Roraima, ou que são migrantes no nosso territorio como os muitos venezuelanos que fogem da fome presente em Venezuela. Com uma densa rede de distribuição, foi possível visitar e ajudar muitas dessas famílias de maneira bastante sistemática.
Máscaras laváveis ​​foram confecionadas para serem oferecidas às famílias mais pobres e, ao entregá-las, ensinam-se as precauções corretas da tomar nos relacionamentos interpessoais, como manter distância para evitar a propagação da infecção, evitar abraços, beijos e quais são as medidas corretas diante dos primeiros sintomas de infecção.
Do ponto de vista sanitario, todos nós vivemos a precariedade e a insegurança devida à falta de medicamentos adequados ou de postos de saúde insuficientes presentes no nosso território, e podendo aacessar a um único hospital equipado, localizado na capital Boa Vista, uma única maternidade e um único hospital pediátrico. Associado a este dificuldade se apresentam outros problemas importantes, como não ter água potável assegurada (falta água muitas vezes por semanae em muitos bairros) para toda a população e, consequentemente, não conseguir realizar a higiene básica necessária. Não há esgoto adequado e isso cria muitos problemas de higiene.
Se é verdade que a situação da resposta à saúde é precária em todo o nível nacional, na região amazônica e em Roraima, a situação piora devido às enormes distâncias existentes entre os postos médicos e as aldeias espalhadas pelo grande território de nosso estado. Um exemplo: para ir a Mucajaí, que é o primeiro centro que se encontra ao longo da estrada estadual após a capital Boa Vista, é preciso percorrer 50 km no meio do lavrado, sem casas ou centros habitados. Se uma pessoa fica doente e não tem meios de transporte (muitos têm apenas uma bicicleta), é difícil acessar o hospital central. Outro exemplo: entre a cidade de Caracarai, a 150 km da capital, e a última comunidade da diocese de Roraima, são necessários 6 ou 7 dias de navegação no Rio Branco, e não há estradas que conectem esses locais habitados com as vilas ou com a capital onde se encontra o único hospital estatal.
Como Igreja diocesana, além da distribuição de cestas basicas, primeira atenção às famílias mais pobres, outras modalidade foram a para estar actuadas para poder estar mais proximos ao povo e renovar a fé e a esperança. Por meio das mídia, foram transmitidas as celebrações eucarísticas celebradas pelo bispo ou pelos padres da diocese, às quais muitos fiéis se conectaram, seja durante a semana seja aos domingos ou nas ocasião das grandes festas litúrgicas como a Páscoa, Pentecostes ou a festa de Corpus Cristi.
Espontaneamente, nas diversas comunidades, foram organizados momentos de oração com a participação, através Whats, de pequenos grupos de fiéis que se reuniram para a recitação do rosário. A diocese supervisionou a preparação de muitos esquemas de oração ou celebrações da Palavra para poder celebrar em família, ajudando as famílias a rezar juntas. Muitos redescobriram a força da unidade e da oração da família e experimentaram concretamente a realidade de uma igreja doméstica, como testemunhado pelos primeiros cristãos no tempo das origens.
Atualmente, estamos enfrentando a fase “retornar ao novo normal”. Como Igreja diocesana, continuaremos com a prudência usual, mantendo distância e evitando riscos desnecessários para a população. Estamos confiantes na capacidade de co-responsabilidade das pessoas, continuando a trabalhar pelo bem de todos, especialmente dos mais pobres e indefesos.

ir. Antonia Storti

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