{"id":18831,"date":"2023-09-07T09:29:00","date_gmt":"2023-09-07T07:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.orsolinescm.it\/8-de-setembro-em-vicenza-entre-a-devocao-e-a-tradicao\/"},"modified":"2023-09-07T09:30:58","modified_gmt":"2023-09-07T07:30:58","slug":"8-de-setembro-em-vicenza-entre-a-devocao-e-a-tradicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.orsolinescm.it\/pt-pt\/8-de-setembro-em-vicenza-entre-a-devocao-e-a-tradicao\/","title":{"rendered":"8 DE SETEMBRO EM VICENZA ENTRE A DEVO\u00c7\u00c3O E A TRADI\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text]&#8221;V\u00e1 l\u00e1, Ninetta, acorda, faz a sacola, hoje \u00e8 o dia oito, vamos \u00e0 cidade&#8230;&#8221;. Com os figos no cesto cheguei a p\u00e9&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 jovem ouviu pelo menos uma vez esta can\u00e7\u00e3o popular que, na regi\u00e3o de Vicenza, comemora o dia 8 de setembro e a devo\u00e7\u00e3o de ir ao Santu\u00e1rio de Monte Berico nessa data. As pessoas partiam a p\u00e9 no meio da noite, em grupos familiares e com algumas provis\u00f5es para se sustentarem. Chegava-se de madrugada ao Monte Berico e, ainda em jejum desde a meia-noite, assistia-se \u00e0 Santa Missa na Bas\u00edlica, pedindo a intercess\u00e3o da Virgem e da Beata Pasini, enterrada atr\u00e1s do altar. No final, era altura de uma paragem regeneradora na pra\u00e7a em frente \u00e0 igreja.\u00a0 Os que podiam pagar entravam no &#8220;Pellegrino&#8221; para consumir a famosa &#8221; chocolate quente com savoiardi=bolacha&#8221;, os outros, &#8220;com os figos na bolsa&#8221;, abasteciam-se com comida trazida de casa. Em breve chegava a hora de regressar a casa, descendo da pra\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao Campo Marzo, o grande espa\u00e7o verde que no passado era &#8220;marso=podre&#8221;, ou seja, pantanoso e n\u00e3o saud\u00e1vel, e que agora \u00e9 o pulm\u00e3o verde da cidade. Ali, precisamente por coincid\u00eancia com o dia 8 de setembro, realizava-se (e ainda hoje se realiza) a &#8220;Festa dos Oitos&#8221;, com parque de divers\u00f5es, jogos, atrac\u00e7\u00f5es, doces. S\u00f3 passear entre as baracas j\u00e1 era divertido: a conclus\u00e3o ideal para um dia que exigia voltar a casa antes do anoitecer.<\/p>\n<p>Mas porque \u00e9 que este antigo costume coincide com o dia 8 de setembro em Vicenza? H\u00e1 quem ligue a tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, no Monte Berico, de uma igreja em honra da Virgem que, no s\u00e9culo XV, tinha libertado a cidade da peste. Mas a coloca\u00e7\u00e3o da primeira pedra desta bas\u00edlica teve lugar numa data diferente, 25 de agosto de 1428, e desde ent\u00e3o todos os anos a cidade honra essa data (e n\u00e3o o 8 de setembro) com uma prociss\u00e3o solene at\u00e9 \u00e0 bas\u00edlica. Mas, a partir dessa data e at\u00e9 8 de setembro, realiza-se a &#8220;Festa degli Oito&#8221;, duas semanas de festividades e devo\u00e7\u00f5es, quase uma vig\u00edlia alegre em antecipa\u00e7\u00e3o da natividade de Maria. De facto, h\u00e1 mais de 1300 anos que a Igreja Ocidental celebra a Natividade da Virgem Sant\u00edssima nesta data. Foi o Papa S\u00e9rgio I, no in\u00edcio do s\u00e9culo VIII, que introduziu esta festa no calend\u00e1rio lit\u00fargico romano, mas era muito mais antiga, pois a Igreja bizantina tinha-a adoptada quase tr\u00eas s\u00e9culos antes. No s\u00e9culo IV, foi constru\u00edda uma bas\u00edlica em Jerusal\u00e9m, no local onde, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, se encontrava a casa dos santos Ana e Joaquim, pais da Virgem, cuja pedra fundamental, segundo as cr\u00f3nicas da \u00e9poca, foi lan\u00e7ada a 8 de setembro.<\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria deste acontecimento, ligado ao local onde a Virgem viu a luz e foi crian\u00e7a, a festa foi designada como Natividade de Maria. Mas a hist\u00f3ria desta Natividade perdeu-se ainda mais no tempo, retrocedendo at\u00e9 ao chamado Proto Evangelho de Tiago, um texto ap\u00f3crifo do in\u00edcio do s\u00e9culo II, que narrava os acontecimentos, milagrosos e prof\u00e9ticos, que tinham precedido e seguido o nascimento da Virgem. Por isso, o dia 8 de setembro \u00e9 para todos os crist\u00e3os, e n\u00e3o apenas para o povo de Vicenza, a festa do nascimento de Maria. Mas foi o povo de Vicenza, com a sua antiga devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem e a sua grata recorda\u00e7\u00e3o de como ela afastou deles o espetro da peste no s\u00e9culo XV e, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o espetro igualmente mort\u00edfero da Grande Guerra, que quis eleg\u00ea-la padroeira da cidade e da diocese, recordando-a no pr\u00f3prio dia do seu nascimento.\u00a0 Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria muito mais recente do que pensamos. De facto, foi apenas h\u00e1 menos de 50 anos, em 1978, que o ent\u00e3o bispo D. Onisto, impulsionado pela devo\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, avan\u00e7ou com a proposta. Uma proposta que foi aceite pelo Papa Paulo VI, que proclamou Nossa Senhora de Monte Berico padroeira de Vicenza a 11 de novembro de 1978.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><strong>Annalisa Lombardo<\/strong><\/p>\n<p>[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]&#8221;V\u00e1 l\u00e1, Ninetta, acorda, faz a sacola, hoje \u00e8 o dia oito, vamos \u00e0 cidade&#8230;&#8221;. Com os figos no cesto cheguei a p\u00e9&#8230;&#8221;.<\/p>\n<p>Quem j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 jovem ouviu pelo menos uma vez esta can\u00e7\u00e3o popular que, na regi\u00e3o de Vicenza, comemora o dia 8 de setembro e a devo\u00e7\u00e3o de ir ao Santu\u00e1rio de Monte Berico nessa data. As pessoas partiam a p\u00e9 no meio da noite, em grupos familiares e com algumas provis\u00f5es para se sustentarem. Chegava-se de madrugada ao Monte Berico e, ainda em jejum desde a meia-noite, assistia-se \u00e0 Santa Missa na Bas\u00edlica, pedindo a intercess\u00e3o da Virgem e da Beata Pasini, enterrada atr\u00e1s do altar. No final, era altura de uma paragem regeneradora na pra\u00e7a em frente \u00e0 igreja.\u00a0 Os que podiam pagar entravam no &#8220;Pellegrino&#8221; para consumir a famosa &#8221; chocolate quente com savoiardi=bolacha&#8221;, os outros, &#8220;com os figos na bolsa&#8221;, abasteciam-se com comida trazida de casa. Em breve chegava a hora de regressar a casa, descendo da pra\u00e7a em dire\u00e7\u00e3o ao Campo Marzo, o grande espa\u00e7o verde que no passado era &#8220;marso=podre&#8221;, ou seja, pantanoso e n\u00e3o saud\u00e1vel, e que agora \u00e9 o pulm\u00e3o verde da cidade. Ali, precisamente por coincid\u00eancia com o dia 8 de setembro, realizava-se (e ainda hoje se realiza) a &#8220;Festa dos Oitos&#8221;, com parque de divers\u00f5es, jogos, atrac\u00e7\u00f5es, doces. S\u00f3 passear entre as baracas j\u00e1 era divertido: a conclus\u00e3o ideal para um dia que exigia voltar a casa antes do anoitecer.<\/p>\n<p>Mas porque \u00e9 que este antigo costume coincide com o dia 8 de setembro em Vicenza? H\u00e1 quem ligue a tradi\u00e7\u00e3o \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, no Monte Berico, de uma igreja em honra da Virgem que, no s\u00e9culo XV, tinha libertado a cidade da peste. Mas a coloca\u00e7\u00e3o da primeira pedra desta bas\u00edlica teve lugar numa data diferente, 25 de agosto de 1428, e desde ent\u00e3o todos os anos a cidade honra essa data (e n\u00e3o o 8 de setembro) com uma prociss\u00e3o solene at\u00e9 \u00e0 bas\u00edlica. Mas, a partir dessa data e at\u00e9 8 de setembro, realiza-se a &#8220;Festa degli Oito&#8221;, duas semanas de festividades e devo\u00e7\u00f5es, quase uma vig\u00edlia alegre em antecipa\u00e7\u00e3o da natividade de Maria. De facto, h\u00e1 mais de 1300 anos que a Igreja Ocidental celebra a Natividade da Virgem Sant\u00edssima nesta data. Foi o Papa S\u00e9rgio I, no in\u00edcio do s\u00e9culo VIII, que introduziu esta festa no calend\u00e1rio lit\u00fargico romano, mas era muito mais antiga, pois a Igreja bizantina tinha-a adoptada quase tr\u00eas s\u00e9culos antes. No s\u00e9culo IV, foi constru\u00edda uma bas\u00edlica em Jerusal\u00e9m, no local onde, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, se encontrava a casa dos santos Ana e Joaquim, pais da Virgem, cuja pedra fundamental, segundo as cr\u00f3nicas da \u00e9poca, foi lan\u00e7ada a 8 de setembro.<\/p>\n<p>Em mem\u00f3ria deste acontecimento, ligado ao local onde a Virgem viu a luz e foi crian\u00e7a, a festa foi designada como Natividade de Maria. Mas a hist\u00f3ria desta Natividade perdeu-se ainda mais no tempo, retrocedendo at\u00e9 ao chamado Proto Evangelho de Tiago, um texto ap\u00f3crifo do in\u00edcio do s\u00e9culo II, que narrava os acontecimentos, milagrosos e prof\u00e9ticos, que tinham precedido e seguido o nascimento da Virgem. Por isso, o dia 8 de setembro \u00e9 para todos os crist\u00e3os, e n\u00e3o apenas para o povo de Vicenza, a festa do nascimento de Maria. Mas foi o povo de Vicenza, com a sua antiga devo\u00e7\u00e3o \u00e0 Virgem e a sua grata recorda\u00e7\u00e3o de como ela afastou deles o espetro da peste no s\u00e9culo XV e, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, o espetro igualmente mort\u00edfero da Grande Guerra, que quis eleg\u00ea-la padroeira da cidade e da diocese, recordando-a no pr\u00f3prio dia do seu nascimento.\u00a0 Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria muito mais recente do que pensamos. De facto, foi apenas h\u00e1 menos de 50 anos, em 1978, que o ent\u00e3o bispo D. Onisto, impulsionado pela devo\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, avan\u00e7ou com a proposta. 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